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segunda-feira, 16 de abril de 2012

Cidade limpa: não precisa ser tão complicado.

Ontem eu presenciei uma cena aqui próximo de minha casa, para mim, ainda inédita.

Era último dia de aula das crianças e adolescentes que frequentam a única escola da cidade antes de um curto período de férias da primavera. A última atividade proporcionada pela escola foi justamente a cena com a qual me deparei: adolescentes (acredito que deviam ter uns 12 ou 13 anos) vestidos com coletes alaranjados com refletores e distribuídos em pequenos grupos estavam alocados em diferentes pontos da cidade para recolher o pouco lixo que havia na rua, na beira da estrada e nas praças.


By Michelangelo-36 (Own work) [GFDL (http://www.gnu.org/copyleft/fdl.html), CC-BY-SA-3.0 (http://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0/) or CC-BY-2.5 (http://creativecommons.org/licenses/by/2.5)], via Wikimedia Commons


Cada um com um saquinho na mão, ajudando a limpar a cidade em que sua família vive.

Foi interessante observar como agiam. Um cuidava da segurança do grupo, fazendo sinal para os carros diminuírem a velocidade; outros animados, competindo com os colegas para ver quem pegava mais lixo; em outros notava-se uma certa cara de indignação.

E foi essa cara de indignação que me chamou a atenção. Não era indignação por ter que fazer aquela atividade. Seus olhos diziam: "Por que alguém joga uma garrafa plástica AQUI???".

Uma atividade tão simples que pode trazer ao adolescente de hoje a noção de certo e errado, de respeito pelas áreas públicas, de lixo no lixo, de consciência coletiva.

Notem que quando comecei a descrever a cena, mencionei "pouco lixo". Sim, o lixo nas ruas aqui é pouco. Uma latinha de Red Bull aqui, uma garrafinha d'água lá longe... Vejo agora porque aqui não se tem garis e as ruas são limpas: os moradores aprendem desde cedo as implicações do lixo no lugar errado.

Fazer um adolescente pegar um saquinho e catar o lixo da rua o faz pensar naquele copinho que ele jogou sem que ninguém visse, o faz vigilante em casa e com os amigos.

Moro na Suiça, um país rico, de primeiro mundo, que oferece uma qualidade de vida invejável. A limpeza de áreas públicas e a consciência da população sobre o descarte correto de seus resíduos são fatores que pesam para essa classificação. Mas vejam como não é preciso ser um país rico para dar essa lição - na prática - para crianças e adolescentes. Basta dedicar poucas horas do ano letivo à atividade semelhante.

Às vezes, enquanto esperamos grandes verbas do governo para grandes mudanças, não enxergamos que com medidas simples e baratas podemos ter um efeito eficaz e duradouro.

Agora saia na rua e observe o lixo jogado nos cantos. Pense no trabalho que dará para recolhê-lo. Pense em quem fará isso. E pense sempre nisso quando você for jogar sua bituca de cigarro, seu chicle ou seu copinho descartável disfarçadamente no chão.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Afinal, é Carnaval!


Todos só falam de carnaval. Espero ansiosamente para que os próximos dias passem rápido.
Isso cansa, gente!


Eu admiro quem ainda curte o carnaval puro. Todas as classes unidas despretensiosamente, cantando marchinhas e fazendo uso abusivo dos confetes e serpentinas.

Eu já sou do time dos que gostam apenas dos dias de folga que o carnaval nos proporciona. Mas devo confessar que esse time - que vejo crescer a cada ano - tende a se frustrar facilmente, a não ser que consigam viajar para algum lugar deserto, onde não se ouvirá o samba alheio.

É engraçado observar a relação das pessoas com o carnaval. E observar no quê ele tem se transformado. Isso nos leva à reflexões. E as conclusões, para mim, são tristes.


O nome carnaval vem do latim e significa prazeres da carne.


As sociedades antigas romanas e gregas já promoviam festividades pagãs em que todos se uniam em busca desses prazeres em sinal de liberdade. Essas festas deram origem a diversas festas carnavalescas por aí (o carnaval não é propriedade do Brasil não, minha gente), que são caracterizadas pela união de todas as classes sociais, culturais e econômicas em festejos de rua, algumas vezes fazendo uso de fantasias e máscaras, assim como ocorre ainda hoje na França e Itália.


O nosso famoso carnaval tem origem no entrudo português, que era uma festa de 3 dias e que marcava o início (entrudo = intróito = começo) da quaresma, período em que a Igreja Católica restringe o consumo de carne, como forma de penitência até a Páscoa. Era assim, também uma festa de liberdade, onde se festejavam esses últimos dias de abundância "carnal" com abusos de todos os tipos.

Entrudo

Sim, uma festa que marca um período religioso de penitências e reflexões é estranhamente marcada por sujeira, abuso e violência. Bem típico da hipocrisia do homem - mesmo do dito religioso.

Uma festa cheia de contradições. E foi isso que desembarcou no Brasil em uma das caravelas que atracaram em nossas costas na época colonial.
Aqui, essa festa sofreu influências das festas carnavalescas renascentistas que aconteciam na Itália e na França e agregamos ao nosso entrudo o uso de fantasias.

No século XX foram somados elementos africanos que se exibem hoje em nossos ritmos carnavalescos. Nosso carnaval foi enriquecido com outras culturas. Algo bem brasileiro do qual me orgulho.


Hoje no Brasil o carnaval é festejado de diferentes maneiras em cada canto do país. Entretanto, o carnaval que o Brasil exporta e que é responsável por rentosos turistas é o desfile do Rio de Janeiro.

Desfile de Escola de Samba no Rio de Janeiro

O carnaval da Sapucaí é uma coisa louca. É uma indústria de imagem, marcada por celebridades (algumas ainda aspirantes) vestindo camisetas estilizadas e aglomeradas em uma redoma de vidro à beira da avenida, porém, totalmente entregues aos abusos e constrangimentos dos reles mortais. Algo assim, tão longe e tão perto. Nessa avenida as comunidades populares desfilam seu exuberante trabalho artesanal, fruto de um ano todo, marcado por glamurosas alegorias que acabam por contrastar com corpos excessivamente nus - muitos de celebridades que saíram da tal redoma e decidiram se misturar.

A nudez é uma expressão artística - assim como as alegorias. Um corpo nu pode dizer muitas coisas. Entretanto, essa nudez que confrontamos a cada segundo durante esses dias não é uma nudez bem articulada e muito menos democrática, uma vez que exclui de sua panelinha corpos não padronizados esteticamente.

Carnaval, pintura de Aldo Luiz
A nudez aqui então passa não a expressar qualquer tipo de manifesto social, mas somente uma empobrecida apelação erótica. Com tudo isso, só o que vemos nesse período de carnaval é esse clima de pseudo-orgia não só bem aceita mas incentivada num ambiente onde tudo pode (afinal, é carnaval).

Tá, sem moralismo, é válido, mas muito pobre frente a tudo o que o carnaval poderia oferecer. Contudo não podemos dizer que perdeu a sua essência, afinal, mantém a tradição de festa da carne, além de favorecer situações de abusos, honrando seu inspirador, o entrudo.

É a empolgação. Eu acho empolgação o máximo! Mas vender uma empolgação irresponsável, sem freios e sem consequências era pra dar cadeia, não??


O nosso governo gasta rios de dinheiro anualmente por conta dessa empolgação sem dono. A campanha do Ministério da Saúde para o carnaval desse ano frisa o seguinte: "Na empolgação rola de tudo. Só não rola sem camisinha". Então tá.


Campanha do Ministério da Saúde para o Carnaval 2012. Primeiro ano abordando também travestis.

Alguém já disse para o Carnaval o que eu gostaria de dizer. Esse alguém foi Fernanda Young. E a carta enviada é a que vocês lêem abaixo.

Bom carnaval!
E se rolar, use camisinha!
Afinal, é Carnaval!


"Para o Carnaval
Todo ano é a mesma coisa: você chega, fica aqui três dias e aí vai embora. Volta um ano depois, todo animadinho, querendo me levar para a gandaia. Olha, honestamente, cansei.
Seus amigos, bando de mascarados, defendem você. Dizem que sempre foi assim, festeiro, brincalhão, mas que no fundo é supertradicional, de raízes cristãs, e só quer tornar as pessoas mais felizes.
Para mim? Carnaval, desengano... Você recorre à sua origem popular e incentiva essas fantasias nas pessoas, de que você é o máximo, é pura alegria, mas não passa de entrudo mal-intencionado, um folguedo, que nunca viu um dia de trabalho na vida.
Acha-se a coisa mais linda do mundo e é cafonice pura. Vive desfilando pelas ruas, junto com os bêbados, relembrando o passado. Chega a ser triste.
Carnaval, você tem um chefe gordo e bobalhão que se acha um rei, mas não manda em nada. Nunca teve um relacionamento duradouro. Basta chegar perto de você e temos que agüentar aquelas fotos de mulheres nuas, que são o seu grande orgulho.
Você não tem vergonha, não?
Sei que as pessoas adoram você, Carnaval, mas eu estou cansada dos seus excessos e dessa sua existência improdutiva. Seja menos repetitivo, proponha algo novo. Desde que o conheço, você gosta das mesmas músicas. Gosta de baile. Desculpa, mas estou pulando fora.
Será que essa sua alegria toda não é para esconder alguma profunda tristeza? Será que você canta para não chorar? Tentei, várias vezes, abordar essas questões, e você sempre mudou de assunto. Ora, chega dessa loucura. Reconheça que você se esconde atrás de uma dupla personalidade.
Cada vez mais e mais pessoas ficam incomodadas com essa sua falsa euforia, fique sabendo.
Conheço várias que fogem, querendo distância das suas brincadeiras.
Você oprime todo mundo com esse seu deslumbramento excessivo diante das coisas, sabia?
Por exemplo, essa sua mania de camarote. Onde os vips podem suar sem que isso pareça nojento.
Onde se pode falar torto sem que seja errado. Todos vestidos de uniforme, senão não entram. Todos doidos para passar a mão na bunda um do outro.
Essa é a sua idéia de curtir a vida?
Menos purpurina, Carnaval. Menos bundas, menos dentes para fora. A vida é linda, mas a “lindeza do lindo mais lindo que há no lindíssimo” é um saco. Um pouco de calma e autocrítica nunca fez mal a ninguém. Tudo muda no mundo – por que você insiste em continuar o mesmo?
A harmonia vem da evolução, não das alegorias. Chegou a hora de rodar a baiana para não atravessar na avenida.
Como será amanhã? Responda quem puder."
Texto de Fernanda Young

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Quem tem boca vai à Roma. E quem tem olhos, observa.

Minhas observações sumiram do blog por um tempo e sem aviso pois fui tirar umas férias, observar o mundo por aí. Valeu a pena.
Nesse período consegui passar 2 dias e meio (exatos) em Roma, na Itália. Roma é um paraíso para quem gosta de história antiga. E, se você se encaixa nesse grupo, 2 dias e meio vai ser pouco pra você.
A vantagem é que as principais atrações como monumentos arqueológicos, praças, museus são facilmente "caminháveis", ou seja, dá pra fazer muita coisa a pé. Se cansar, o metrô pode ajudar.
E por falar em metrô, há uma estação chamada Colosseo, bem em frente ao Coliseu.  A emoção de subirmos as escadas do metrô em direção à saída e avistar o Coliseu do outro lado da rua é indescritível. É uma excelente pedida para começar a explorar Roma.

Como a Roma de hoje está localizada bem em cima da Roma antiga, os romanos não precisam cavucar muito pra encontrar algo de seus antepassados. Aliás, isso é algo muito interessante de se observar: os romanos são tão habituados com partes do antigo Império Romano surgindo da terra que é frequente encontrarmos pedaços de colunas preenchendo espaços de tijolos em ruas e muros.
Devo dizer que em Roma me senti um pouco em casa. Bem diferente do norte da Europa, já sabemos que os romanos falam alto e gesticulam muito. Isso é verdade. Também é verdade que quase todos andam de lambretas e são, em geral, muito elegantes - homens e mulheres. São também (muito) impacientes, portanto, se não quiser que o garçom se irrite com você, trate de decidir seu pedido logo!

O trânsito é um pouco caótico - não chega nem perto do trânsito marroquino - mas você não pode considerar que está na Europa e simplesmente atravessar a rua sem sequer dar uma olhadinha. Lá você precisa sinalizar que quer atravessar e ainda dar umas duas ou três ensaiadas para que os carros finalmente parem. Lembre-se sempre: eles costumam ser impacientes. Mas são divertidos!


A comida é muito boa! Muuuito boa! Além de massas e pizzas, você também come ótimos pratos de peixes e frutos do mar. Além dos clássicos sorvetes italianos.
Também é interessante visitar os diversos antiquários que encontramos por lá. São como pequenos museus, com peças de todos os tipos, incluindo peças arqueológicas! Lá você pode comprar uma moeda original do império romano pela bagatela de 2.000 Euros. É caro, mas pode. Há alguns antiquários ao caminhar pela Via Condotti, uma rua linda, famosa por suas lojas de grifes chiques, próximo da Piazza di Spagna.
Antes de ir, não foi tão fácil achar dicas para 2 dias, contendo os principais pontos da cidade e ainda com algumas dicas da história (não é legal saber o que aconteceu lá, ou quem das nossas aulas de história passou por ali???). Então, vou deixar aqui mais ou menos o que fizemos nesses 2 dias e meio, caso alguém precise.
Guia para 2 dias e meio em Roma


Mapa que usamos, extraído de um guia comprado bem na frente do Coliseu (ROME AND THE VATICAN 2001-2011. Publicado por Lozzi Roma). Os hotéis também podem fornecer bons mapas.
 

Dia 1:
Em nosso roteiro ultra-fast começamos pelo Coliseu, pois o hotel que ficamos era bem próximo de lá, uma ótima opção.
 Caminhando poucos metros na Via dei Fori Imperiali (na saída do metrô Colosseo) há muito o que ver:
Detalhe do mapa contendo a Via dei Fori Imperiali. Também retirado do guia.
·         Coliseu: certamente a construção mais famosa de Roma, foi construído em 72 d.C. por ordens do então imperador Vespasiano. Levou 8 anos para ficar pronto e foi sede de massacre de gladiadores, cristãos e animais para diversão do povo. Hoje é aberto ao público, sendo necessário pagar para entrar (em 2011, 12 Euros por pessoa, incluindo acesso ao Coliseu, Foro Romano e Palatino). Apesar de partes do edifício terem sido danificadas por terremotos e incêndio, ainda conseguimos sentir a sua grandiosidade. É uma pena vermos sinais de depredação em suas rochas, feitos ainda nos dias de hoje, como escritos e pequenas pichações, como se alguns visitantes quisessem marcar sua triste presença. Por isso fiquei feliz quando o governo italiano anunciou obras de restauração do Coliseu em 2012 (atenção: os trabalhos devem começar entre março e junho e devem durar entre 24 e 36 meses, durante os quais o monumento permanecerá aberto normalmente aos visitantes).


Coliseu visto de fora


Coliseu por dentro

·         Arco de Constantino: bem ao lado do Coliseu, é um lindo arco triunfal datado de 315 d.C., para comemorar a vitória do Imperador Constantino contra Maxêncio, em batalha para o controle da metade ocidental do império romano.


Arco de Constantino à esquerda e início da Via Sacra à direita

·         Fórum Romano: os apreciadores de história podem se deliciar. Onde hoje vemos ruínas, era o coração da Roma Antiga, onde encontravam-se templos, lojas, praças e a Cúria (a sede do Senado). Poucos sabem, mas ali, bem ali, vivia o grande conquistador Júlio Cesar, que veio a se tornar Ditador de Roma e sacerdote, antes de ser morto.  Ali também encontramos o local exato onde Júlio Cesar foi cremado após sua morte. Ainda hoje pessoas deixam flores no local. O Fórum Romano era atravessado pela Via Sacra, rua por onde passavam os cortejos de triunfo até ao Capitólio. Em uma ponta da Via Sacra, mais próximo do Coliseu, está o Arco de Tito, construído em 81 d. C. para celebrar a tomada de Jerusalém Na outra ponta da mesma via, mais próximo da Cúria, está o Arco de Sétimo Severo. Também no Fórum estava o Templo de Vesta, um ponto muito importante para a sociedade da época, onde as Virgens Vestais (sacerdotisas) mantinham sempre aceso o fogo sagrado, que representava o lar doméstico, centro e fonte de vida do poder romano.


O que vemos hoje no Fórum Romano. Fonte: ROME AND THE VATICAN 2001-2011. Publicado por Lozzi Roma


Reprodução de como o Fórum Romano era na época imperial.
Fonte: ROME AND THE VATICAN 2001-2011. Publicado por Lozzi Roma


Local onde Julio Cesar foi cremado
·         Mercado de Trajano: ainda na Via dei Fori Imperiali, mas do lado oposto ao Fórum Romano, vemos as ruínas desse mercado, que abrigava o centro administrativo e comercial da época do império de Trajano.


Mercado de Trajano

·         Coluna de Trajano: próximo ao mercado de mesmo nome, essa coluna branca contém inscrições acerca da vitória contra os Dácios.

·         Vittoriano: no lado oposto à Coluna de Trajano esse monumento se impõe pela sua grandeza e beleza, apesar de bem mais moderno. Foi construído entre 1885 e 1911, em homenagem a independência Italiana. Neste ponto acaba a Via dei Fori Imperiali e começa a Via del Corso, uma rua cheia de restaurantes e lojas.
Vittoriano
Atrás do Vittoriano está o Capitólio, destino dos desfiles triunfais da Roma antiga. Hoje abriga a prefeitura da cidade. Lá encontramos o Museu do Capitólio, que vale a pena ser visto. Nesse museu encontram-se alguns bustos famosos, como o de Júlio Cesar e de Caracalla. Na praça do Capitólio, que foi desenhada por Michelângelo, há uma réplica de Marco Aurélio em seu cavalo. A peça original encontra-se no museu.

Capitólio e a réplica da estátua de Marco Aurélio em seu cavalo
O famoso busto de Julio Cesar, no Museu do Capitolio
Seguindo pela Via del Corso, com 2 pequenos desvios visitamos:
·         Fontana di Trevi, a mais famosa fonte de Roma, abastecida com águas dos antigos aquedutos. Há uma tradição de se jogar uma moedinha na fonte, de costas para ela, como forma de garantir seu retorno à cidade.

Fontana di Trevi
·         Piazza Di Spagna, com uma bela vista da cidade do alto das suas escadarias. É comum estar cheia, pois é frequentemente ponto de encontro de jovens. Lá encontramos a igreja  Trinità dei Monte, de 1495 e também, um obelisco egípcio datado de cerca de 590 a.C..

Igreja Trinita dei Monte e obelisco egípcio, na Piazza di Spagna

Voltamos pela badalada Via Condotti para a Via del Corso e seguimos para a Piazza del Popolo, não sem antes fazer um pequeno desvio - agora à esquerda - para ver o Mausoléu de Augusto (ou imperador Otaviano, herdeiro de Julio Cesar e primeiro imperador de Roma. O mausoléu fica dentro de um prédio, ou pequeno museu, de arquitetura moderna. Do lado de fora é possível ver parte do mausoléu pelas janelas de vidro.
Se você não entrar no museu, o máximo que verá do Mausoléu de Augusto será isso
Piazza del Popolo é enorme, contém as igrejas "gêmeas" Santa Maria in Montesanto e Santa Maria dei Miracoli e, bem ao centro, um grande obelisco também egípcio, originário de Heliópolis e construído por ninguém menos que Seth I e seu filho Ramsés II (!!!), que fora trazido por Otaviano Augusto no ano 10 a.C. para adornar o Circus Maximus.

Piazza del Popolo

Detalhe do obelisco da época de Ramsés II
Dia 2:
No segundo dia fomos logo cedo para o Vaticano, de metrô. Lá, visitamos a famosa Basílica de São Pedro, onde deve ser visto, no mínimo, o Baldacchino com suas colunas em espirais retiradas do Panteão, a Pietá de Michelângelo e o Domo superior da Basílica, também obra de Michelângelo. Se der sorte, você pode encontrar o Papa por ali.

Basílica de São Pedro e o Domo de Michelângelo

Baldacchino, no interior da Basílica de São Pedro

O Domo de Michelângelo, visto por dentro da Basílica de São Pedro
A Piazza San Pietro, em frente à basílica, também é adornada por um obelisco egípcio de origem desconhecida.
O Museu Vaticano vale a pena ser visto. Mas é enorme, então, controle seu tempo. Nesse museu encontra-se a Capela Sistina, cujo teto abriga as famosas pinturas de Michelângelo, como a Criação de Adão. Cuidado, lá não é permitido tirar fotos! Se você tiver pouco tempo, há um atalho dentro do próprio museu que te leva direto à Capela Sistina. Mas se tiver tempo, vale a pena pegar o caminho mais longo.


Teto da Capela Sistina, foto da internet

Voltamos para Roma a pé, pela Via della Conciliazione e avistamos o Castelo de Santo Ângelo, às margens do rio Tevere. Ele foi construído a partir do ano 139 e na época medieval foi uma importante fortaleza pertencente aos Papas. Também serviu também como prisão na época dos movimentos de unificação da Itália, no século 19.
Castelo de Santo Ângelo
Ponte de Santo Ângelo

Atravessamos o rio em direção ao centro de Roma pela Ponte de Santo Ângelo. Seguimos em direção à Piazza Navona, para um bom almoço em um de seus restaurantes. Na época do Império, esse era o local do Estádio de Domiciano, onde haviam corridas de cavalos e simulavam até batalhas navais.
Nessa praça hoje vemos, além das 3 fontes - de Fiumi,  Moro e Nettuno - diversos artistas vendendo suas pinturas. A maior parte é composta de pinturas em aquarelas que retratam as paisagens e monumentos de Roma e digo que vale a pena pagar 10 ou 20 Euros pelo menos em uma. O obelisco em seu centro, apesar de parecer, não é original egípcio. Trata-se de uma cópia romana.

Piazza Navona

Piazza Navona
Para um sorvete vale a pena fazer um pequeno desvio até o Campo dei Fiori, uma pequena praça próximo à Piazza Navona. Lá há uma estátua de em homenagem ao filósofo Giordano Bruno, que fora queimado vivo naquele local por ter sido considerado herege pela igreja católica.
Seguimos para o Panteão (Pantheon), que é o único edifício da Roma Antiga que encontra-se ainda hoje em perfeito estado de conservação. Ele foi construído em 27 a.C. pelo cônsul Marco Agrippa (nome visto ainda hoje inscrito na entrada do prédio) e reconstruído em 125 d.C. pelo imperador Adriano, após ter sido destruído em um incêndio em 80 d.C. Ele sempre serviu para fins religiosos. No início, era um templo para os  deuses do Panteão Romano e desde o século VII é um templo cristão. O obelisco em frente ao Panteão é da época de Ramsés II e adornava o Templo de Isis.

Panteão

O próximo destino é o Largo Argentina, onde encontramos, além de muitos gatos tirando uma soneca ou procurando alguém que os alimente, algumas ruínas da época da República Romana, como o Pórtico de Pompeu. É um lugar que não costuma ser muito cheio de turistas, possivelmente por não saberem o real significado do local. Julio César foi assassinado lá. Muitos pensam que ele foi assassinado na sede do Senado, que está lá no meio das ruínas do Fórum Romano, mas, naquele fatídico dia dos Idos de Março de 44 a.C. o senado romano se reuniu no Pórtico de Pompeu, pois o prédio do senado estava em reforma, pois havia sido incendiado. Dessa forma, é incrível imaginar que Júlio César falou - se é que falou mesmo - "Até tu, Brutus?" nesse local tão fácil de visitar mas tão ignorado por todos.
Pórtico de Pompeu, no Largo Argentina, onde Júlio César foi assassinado
Saindo de lá, caminhamos em direção ao rio novamente para darmos uma passada rápida no bairro judeu Guetto, passamos pela Sinagoga e seguimos para dar uma olhada na Isola Tibertina, uma pequena ilha em formato de barco no meio do rio Tevere. A ilha abrigava o Templo de Esculápio, onde hoje encontramos a Igreja de São Bartolomeu.
Isola Tibertina
Já está acabando o dia e voltamos para o hotel passando pelo Teatro Marcello, um teatro ao ar livre que fora inaugurado pelo Imperador Augusto (Otaviano) em 12 a.C..
(Meio) Dia 3:
No último dia, como tínhamos a manhã livre, pegamos um taxi (já não dá pra ir a pé) e fomos conhecer a Via Appia Antiga e as Catacumbas.
A Via Appia Antiga foi uma das primeiras e mais importantes estradas de Roma ("todos os caminhos levam a Roma"...) e permanece com trecho muito bem conservado. Sua construção foi iniciada em 312 a.C. e ao longo da Via Appia haviam tumbas onde eram enterrados os patrícios. Também era comum as crucificações (uma pena de morte comum na Roma Antiga) acontecerem ao longo da Via Appia. O famoso gladiador revoltoso Espartaco e seus homens foram crucificados lá. 
Via Appia Antiga
As famosas catacumbas eram cemitérios cristãos que ficavam ao redor da Via Appia. A maior delas é a de São Callisto, famosa por ter sido o primeiro cemitério cristão. Ela contém criptas dos Papas do século 3 e também a cripta de Santa Cecília.
Entrada para as Catacumbas de San Callixto
Na ponta da Via Appia há as Termas de Caracalla, que merece ser visto, mas não tivemos tempo.
Há muito mais para ser visitado em Roma, mas esse é um roteiro ninja pra quem não dispõe de muito tempo lá. Além dos monumentos todos e igrejas, Roma tem mais de 150 museus!! Se você gostar de ir mais fundo na história e tiver mais tempo para essas visitas, pode selecionar alguns museus e outros monumentos não mencionados aqui para o seu roteiro na página da cidade de Roma: http://www.turismoroma.it/?lang=en.
Arrivederci!

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Quanto mais sua consciência aumenta, mais seu lixo diminui

Nunca tinha reparado na quantidade de lixo que somos capazes de produzir em tão pouco tempo... até vir pra cá.




Na Suíça o descarte do lixo é extremamente rigoroso. A separação do tipo de resíduo é feita por nós, em casa. Mas não se trata de amontoar papel, plástico e metal, não. A separação deve ser detalhada. Por exemplo, devemos ter um local para armazenar separadamente cada um dos resíduos abaixo:

· Resíduos orgânicos
· Papel limpo e não picado
· Papelão limpo e não revestido
· Metal (latas em geral)
· Vidro branco
· Vidro verde
· Vidro marrom
· PET
· Óleo de cozinha ou de automóvel
· Isopor
· Lâmpadas
· Medicamentos
· Baterias e pilhas
· Demais resíduos = lixo comum

Além disso, para cada tipo de resíduo, há uma data e um local certos para coleta.

Se fazemos a separação de forma errada (colocando um papel sujo com resíduo de óleo, por exemplo, na pilha de papéis), podemos ser multados.

Além disso, pagamos uma taxa para o lixo gerado, que depende do tipo e da quantidade.

Em minha cidade, pago aproximadamente 7 reais para cada 35 litros - ou até 5kg - de lixo comum. A tarifa do lixo orgânico é parecida.

Pagamos essa taxa ao comprarmos um adesivo no mercado, que deve ser anexado ao saco de lixo. Se seu saco de lixo não estiver com o tal adesivo, ele simplesmente não é recolhido.


Saco de 35L de lixo comum com os impostos devidamente pagos  

As orientações de separação e coleta, assim como o valor do imposto por lixo varia conforme o município. Ao chegarmos para morar aqui, temos que nos registrar na prefeitura do município em que vamos residir e, nessa ocasião, recebemos um manual sobre como devemos agir na cidade - incluindo um manual sobre o descarte de resíduos.

Aqui na cidade onde moro, por exemplo:

· O lixo comum e o lixo orgânico são recolhidos 1 vez por semana e devem ser colocados na rua, em frente de casa nesse dia. Devemos nos atentar à hora, pois podemos perder a coleta e ter de esperar até a semana seguinte... Apesar de ser uma tentação, não podemos colocar nosso lixo na rua na noite anterior à coleta, o jeito é levantar cedo mesmo...

· Já o papel, papelão e isopor são recolhidos - aqui em minha cidade - a cada 3 meses! Não podemos perder essa data de jeito nenhum!

· As PETs, as latas, os vidros e as pilhas podem ser levados de volta ao supermercado e colocados em recipientes próprios para coleta.

· A coleta dos demais resíduos é ainda mais restrita e com mais particularidades ainda.


Ou seja, não é fácil. Mas nos faz pensar no quanto consumimos e - incrível! - nos faz consumir menos, ou mais racionalmente. Dá resultado! Com o tempo se torna automático.

Observei que a nossa quantidade de lixo semanal já foi reduzida. Ao irmos às compras, observamos as embalagens de absolutamente TUDO o que compramos. Se tem embalagem desnecessária não compramos, pois o descarte será muito mais trabalhoso.

Teria sido melhor se eu não tivesse que vir pra cá para começar a pensar melhor nisso.

Comecem a observar o lixo que produzem em um dia, tentem procurar na internet para onde ele vai em seu município. Na próxima visita ao supermercado, leve sua sacola retornável - mesmo que isso ainda não seja obrigatório em sua cidade - e compare as embalagens dos produtos que compra, faça opções conscientes. Multiplique esse hábito. O mundo vai te agradecer.



quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Sem vergonha de respeitar

Quando pensamos em uma sociedade desenvolvida, logo nos vem à cabeça o bom nível de vida da população decorrente de boa estrutura de saneamento, saúde, educação, transporte, etc.
No entanto, ao observar essa sociedade no dia-a-dia, características mais simples nos causam estranheza. Digo estranheza por estarmos habituados a outro estilo de vida.
Para mim, a característica que mais chamou a atenção quando me mudei para a Suíça e comecei a me relacionar com as pessoas locais foi o cuidado que eles têm em seguir as regras. Sejam regras de boa convivência, de trânsito, de horários, qualquer uma.
Eu, mesmo sendo a pessoa sistemática que sou (sim, alguns me classificam dessa forma por eu gostar de regras), ainda custo a me habituar com algumas delas e me pego, às vezes, "fazendo brasileirices".
O melhor exemplo de todos está no trânsito. Já atravessei fora da faixa de pedestres (que aqui é amarela) e fui fuzilada por olhares nativos recriminadores. Também - muitas vezes - fiquei plantada na calçada, em frente à mesma faixa, esperando os carros pararem por pensar "Vai que algum desavisado não para!". Mas os suíços não! Eles nem olham do lado quando vão atravessar a rua. Simplesmente confiam nos motoristas, que sempre param para o pedestre que atravessa na faixa. Só porque eles TÊM que parar.
Como eles chegaram nesse ponto? Ah... Podemos pensar na qualidade da educação, claro! E no tamanho da multa que eles pagarão se não respeitarem tais regras! Sim, isso deve mesmo influenciar a conduta. Mas, se você for observar, é uma questão simples de respeito ao outro, aos direitos do outro. E eles levam isso muito a sério.
Isso pode até ser ensinado nas escolas, seu descumprimento pode até ser punido com multas altas, mas é fundamentalmente uma questão cultural. Eles pensam no coletivo mais do que nós. Não passa pela cabeça de um suíço, por exemplo, não comprar o ticket do trem só porque ninguém vai cobrá-lo. É preciso comprar o ticket e pronto! Não passa pela cabeça de um suíço atravessar fora da faixa de pedestres porque a ela está lá para isso!
No Brasil, sinto que nossa sociedade ainda engatinha nessas questões. Quantas vezes nos sentimos envergonhados por fazer a coisa certa? E - de novo - não acho que seja somente pela educação de má qualidade não. É uma questão cultural.
É frequente vermos carros caros e de último modelo seguindo pelo acostamento quando estamos parados em um congestionamento. Será que essa pessoa não teve acesso à escola?
O povo brasileiro em geral se orgulha da sua característica de dar "um jeitinho" pra tudo. Isso nem sempre é bom. Não é bom quando invadimos os direitos do outro. Não é bom quando esse "jeitinho" vai contra o coletivo. Tudo o que vai contra o coletivo impede uma sociedade de se desenvolver. Óbvio.
Falando de boa conduta no trânsito, a Organização Mundial de Saúde (OMS) proclamou a década em que vivemos como a “Década de Ações para a Segurança no Trânsito". De acordo com seus dados, os países menos desenvolvidos respondem por 90% de todas as mortes no trânsito. O Brasil está em 5o lugar nesse ranking.
Por conta dessa recomendação, diversos países estão iniciando ações educativas e punitivas para melhorar o trânsito e diminuir seus índices e gastos com acidentes. Em São Paulo, nesse último dia 8, os motoristas que não respeitarem os pedestres passam a ser multados.
Essa regra já existia, mas não era respeitada pela falta de fiscalização. Quem vai ser trouxa de parar para o pedestre? Eles que esperem ou comprem um carro! Muita gente ainda pensa assim. Nesse caso, o jeito triste de mudar nossa cultura é com a punição. Que seja.
Podemos colaborar com nossa cultura dando exemplos. Basta deixarmos de nos envergonhar por querer atravessar somente na faixa, por não querer dirigir depois de beber, ou talvez respeitando os horários (13 horas não é o mesmo que 13:15!). Não aprendemos isso na faculdade, nós simplesmente sabemos. Se perdermos a vergonha, outros podem começar a achar cool respeitar o coletivo.