Ontem eu presenciei uma cena aqui próximo de minha casa, para mim, ainda inédita.
Era último dia de aula das crianças e adolescentes que frequentam a única escola da cidade antes de um curto período de férias da primavera. A última atividade proporcionada pela escola foi justamente a cena com a qual me deparei: adolescentes (acredito que deviam ter uns 12 ou 13 anos) vestidos com coletes alaranjados com refletores e distribuídos em pequenos grupos estavam alocados em diferentes pontos da cidade para recolher o pouco lixo que havia na rua, na beira da estrada e nas praças.
Cada um com um saquinho na mão, ajudando a limpar a cidade em que sua família vive.
Foi interessante observar como agiam. Um cuidava da segurança do grupo, fazendo sinal para os carros diminuírem a velocidade; outros animados, competindo com os colegas para ver quem pegava mais lixo; em outros notava-se uma certa cara de indignação.
E foi essa cara de indignação que me chamou a atenção. Não era indignação por ter que fazer aquela atividade. Seus olhos diziam: "Por que alguém joga uma garrafa plástica AQUI???".
Uma atividade tão simples que pode trazer ao adolescente de hoje a noção de certo e errado, de respeito pelas áreas públicas, de lixo no lixo, de consciência coletiva.
Notem que quando comecei a descrever a cena, mencionei "pouco lixo". Sim, o lixo nas ruas aqui é pouco. Uma latinha de Red Bull aqui, uma garrafinha d'água lá longe... Vejo agora porque aqui não se tem garis e as ruas são limpas: os moradores aprendem desde cedo as implicações do lixo no lugar errado.
Fazer um adolescente pegar um saquinho e catar o lixo da rua o faz pensar naquele copinho que ele jogou sem que ninguém visse, o faz vigilante em casa e com os amigos.
Moro na Suiça, um país rico, de primeiro mundo, que oferece uma qualidade de vida invejável. A limpeza de áreas públicas e a consciência da população sobre o descarte correto de seus resíduos são fatores que pesam para essa classificação. Mas vejam como não é preciso ser um país rico para dar essa lição - na prática - para crianças e adolescentes. Basta dedicar poucas horas do ano letivo à atividade semelhante.
Às vezes, enquanto esperamos grandes verbas do governo para grandes mudanças, não enxergamos que com medidas simples e baratas podemos ter um efeito eficaz e duradouro.
Agora saia na rua e observe o lixo jogado nos cantos. Pense no trabalho que dará para recolhê-lo. Pense em quem fará isso. E pense sempre nisso quando você for jogar sua bituca de cigarro, seu chicle ou seu copinho descartável disfarçadamente no chão.
Parto do princípio que até observações que parecem inúteis podem nos trazer algo de proveitoso. Quem sabe?
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segunda-feira, 16 de abril de 2012
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Indo para a Suíça e levando animais de estimação
Eu tenho um cachorro de pequeno porte e um gato de estimação. Para trazê-los para a Suíça, foi preciso seguir alguns procedimentos de importação. Esses procedimentos são detalhados e com prazos bastante rigorosos. Por isso, deve-se ter muita atenção, sob pena de não conseguir embarcar seus animais.
Primeiro, os animais devem estar com a vacina anti-rábica em dia, saudáveis e devem ser microchipados, para identificação.
Feito isso, deve ser colhida sorologia anti-rábica (é um exame de sangue que detecta se o animal possui as defesas imunológicas contra a raiva). O resultado desse exame deve ser emitido por um laboratório reconhecido pela União Européia - UE (apesar da Suíça não fazer parte da UE, ela segue os mesmos padrões para importação de animais). No meu caso, o sangue foi colhido com a própria veterinária dos animais e ela mesma enviou o material ao Laboratório Pasteur em São Paulo. O resultado fica pronto em 20 dias, em média.
Se o resultado do exame estiver de acordo com o recomendado pela UE, os animais devem esperar 90 dias a partir da data da COLETA do exame para estarem aptos a embarcar.
Além disso, para entrada do animal na Suíça, é necessário que eles tenham um certificado do FVO (Federal Veterinary Office). Para isso, é preciso enviar os documentos dos animais (certificado da microchipagem, carteira de vacinação, resultado da sorologia anti-rábica e atestado de saúde) ao FVO 3 semanas antes do embarque.
A boa notícia é que a Suíça não exige quarentena, ou seja, assim que seus animais desembarcarem, eles já poderão ir para casa!
Para o vôo, devemos ainda seguir as exigências da Cia. Aérea. Dependendo do tamanho e peso do animal, ele pode ir com você, como "bagagem de mão". No meu caso, eles foram no compartimento de cargas do avião.
Para o embarque no compartimento de carga é necessário que cada animal seja alojado em uma caixa padrão Kennel, conforme as medidas do animal. Eles devem ter à disposição água e comida suficientes para o período da viagem.
![]() |
| Modelo de caixa padrão kennel |
Os meus viajaram de Lufthansa, com escala em Frankfurt e foram muito bem cuidados durante todo o trajeto.
Bem, chegando aqui, a saga ainda não acabou. Os cães na Suíça devem ser registrados na prefeitura, onde pagamos um imposto anual por cachorro. Na prefeitura da minha cidade recebi um pingente com um número de identificação, que deve ser anexado à coleira.
| Pingente obrigatório |
Também, logo que eles chegam (agora não só os cães, mas os gatos também), devem ser levados ao veterinário local que deve checar a vacinação conforme as exigências do país e fazer o registro do animal (através do número do microchip) no banco de dados Suíço. O veterinário também emite um passaporte para cada animal, que devemos carregar em cada viagem.
Feito isso, tudo certo!
É recomendável que o seu cachorro esteja incluso no seguro da casa (depois eu coloco um post sobre os seguros recomendáveis aqui). Na minha cidade, a prefeitura me exigiu. O seguro cobre algum dano que seu animal possa vir a causar a algo ou a alguém.
Lembrem-se sempre da boa educação ao passear com o seu cão pela Suíça! Aqui temos lixeiras e sacolinhas espalhadas pela cidade para recolhermos o cocô do nosso cão. O imposto que pagamos serve para isso basicamente.
Eu prefiro não sair de casa sem os saquinhos, que já ficam anexados na guia.
| Guia com saquinhos para compostagem |
Animais em geral são muito bem vindos na Europa e eles podem entrar em muitas lojas, restaurantes e também usar o transporte público - desde que paguemos a taxa extra no ticket.
Boa viagem!
terça-feira, 20 de setembro de 2011
Indo para a Suíça - Passaporte e visto
Passaporte e Visto
Em viagens de turismo, com uma permanência não superior a 90 dias, não é exigido visto de entrada para o brasileiro. Lembrando que o passaporte deve ainda estar válido por pelo menos 6 meses .
Para moradia - imigração - deve ser solicitado visto de longa permanência junto ao Consulado da Suíça no Brasil. O tipo do visto, assim como os documentos necessários para sua emissão dependerão do motivo da mudança (trabalho, estudo, reagrupamento familiar, etc). Mais informações em: http://www.eda.admin.ch/eda/pt/home/reps/sameri/vbra/ref_visinf/vissao.html#ContentPar_0012
Deve-se ficar atento aos prazos, pois o visto pode demorar de 45 a 90 dias para ser emitido. Após a emissão desse visto no passaporte, há ainda um prazo para entrar no país e um prazo para registrar-se na prefeitura de onde irá morar e no cantão (estado), para que seja então emitido o visto de permanência.
O visto de permanência é representado por um cartão, que é a nossa "identidade na Suíça". Observar sempre o prazo para a renovação.
Aqui, eu tive a assessoria de uma agência especializada em expatriação, por conta da empresa que nos trouxe, mas, se você não tiver essa ajuda, pergunte TUDO no Consulado antes de vir.
Site do Consulado da Suíça no Brasil: http://www.eda.admin.ch/eda/en/home.html
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
Quanto mais sua consciência aumenta, mais seu lixo diminui
Nunca tinha reparado na quantidade de lixo que somos capazes de produzir em tão pouco tempo... até vir pra cá.
Na Suíça o descarte do lixo é extremamente rigoroso. A separação do tipo de resíduo é feita por nós, em casa. Mas não se trata de amontoar papel, plástico e metal, não. A separação deve ser detalhada. Por exemplo, devemos ter um local para armazenar separadamente cada um dos resíduos abaixo:
· Resíduos orgânicos
· Papel limpo e não picado
· Papelão limpo e não revestido
· Metal (latas em geral)
· Vidro branco
· Vidro verde
· Vidro marrom
· PET
· Óleo de cozinha ou de automóvel
· Isopor
· Lâmpadas
· Medicamentos
· Baterias e pilhas
· Demais resíduos = lixo comum
Além disso, para cada tipo de resíduo, há uma data e um local certos para coleta.
Se fazemos a separação de forma errada (colocando um papel sujo com resíduo de óleo, por exemplo, na pilha de papéis), podemos ser multados.
Além disso, pagamos uma taxa para o lixo gerado, que depende do tipo e da quantidade.
Em minha cidade, pago aproximadamente 7 reais para cada 35 litros - ou até 5kg - de lixo comum. A tarifa do lixo orgânico é parecida.
Pagamos essa taxa ao comprarmos um adesivo no mercado, que deve ser anexado ao saco de lixo. Se seu saco de lixo não estiver com o tal adesivo, ele simplesmente não é recolhido.
| Saco de 35L de lixo comum com os impostos devidamente pagos |
As orientações de separação e coleta, assim como o valor do imposto por lixo varia conforme o município. Ao chegarmos para morar aqui, temos que nos registrar na prefeitura do município em que vamos residir e, nessa ocasião, recebemos um manual sobre como devemos agir na cidade - incluindo um manual sobre o descarte de resíduos.
Aqui na cidade onde moro, por exemplo:
· O lixo comum e o lixo orgânico são recolhidos 1 vez por semana e devem ser colocados na rua, em frente de casa nesse dia. Devemos nos atentar à hora, pois podemos perder a coleta e ter de esperar até a semana seguinte... Apesar de ser uma tentação, não podemos colocar nosso lixo na rua na noite anterior à coleta, o jeito é levantar cedo mesmo...
· Já o papel, papelão e isopor são recolhidos - aqui em minha cidade - a cada 3 meses! Não podemos perder essa data de jeito nenhum!
· As PETs, as latas, os vidros e as pilhas podem ser levados de volta ao supermercado e colocados em recipientes próprios para coleta.
· A coleta dos demais resíduos é ainda mais restrita e com mais particularidades ainda.
Ou seja, não é fácil. Mas nos faz pensar no quanto consumimos e - incrível! - nos faz consumir menos, ou mais racionalmente. Dá resultado! Com o tempo se torna automático.
Observei que a nossa quantidade de lixo semanal já foi reduzida. Ao irmos às compras, observamos as embalagens de absolutamente TUDO o que compramos. Se tem embalagem desnecessária não compramos, pois o descarte será muito mais trabalhoso.
Teria sido melhor se eu não tivesse que vir pra cá para começar a pensar melhor nisso.
Comecem a observar o lixo que produzem em um dia, tentem procurar na internet para onde ele vai em seu município. Na próxima visita ao supermercado, leve sua sacola retornável - mesmo que isso ainda não seja obrigatório em sua cidade - e compare as embalagens dos produtos que compra, faça opções conscientes. Multiplique esse hábito. O mundo vai te agradecer.
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
Redescobrindo utilidades, em busca da boa saúde mental - mesmo sem emprego
Nesse primeiro mês de expatriação vivemos ainda fora da rotina. Há muito por fazer. Temos uma casa inteira pra montar e remontar, um novo idioma a aprender, lugares novos a descobrir. Aos poucos, tudo vai entrando nos eixos.
No entanto, um conflito começa a perturbar: deixei meu trabalho lá... E agora?
Apesar de ser um conflito muito pessoal, tenho certeza de que há mais mulheres e maridos que já passaram ou vão passar por isso.
Antes de me mudar pra cá, tinha a rotina normal de qualquer trabalhador empregado: trabalhava muito, vivia agitada para dar conta do volume de coisas, ansiosa para sempre conseguir encontrar a melhor solução para os problemas e com um cansaço tão frequente que me impedia até de encontrar os amigos mais queridos. Meu jeito... Para quem ama muito seu trabalho, isso não deve ser um problema. Mas para mim meu trabalho nunca foi exatamente uma paixão.
Antes de me mudar pra cá, tinha a rotina normal de qualquer trabalhador empregado: trabalhava muito, vivia agitada para dar conta do volume de coisas, ansiosa para sempre conseguir encontrar a melhor solução para os problemas e com um cansaço tão frequente que me impedia até de encontrar os amigos mais queridos. Meu jeito... Para quem ama muito seu trabalho, isso não deve ser um problema. Mas para mim meu trabalho nunca foi exatamente uma paixão.
Hoje me sinto mais feliz, mais livre, sinto até que voltei a pensar... Sim! Tenho a impressão que o excesso de trabalho aos moldes do que eu tinha antes ocupava todos os campos da minha cabeça, não deixando espaço para reflexões simples porém necessárias sobre a vida. Tudo por conta da minha - não culpo o emprego, que era bom - dificuldade de apertar o Off.
Então... Por que isso agora?
Acho que porque sei que as pessoas são valorizadas e admiradas pelo seu emprego ou pela posição que ocupam no mercado. Talvez medo de ser visto como um ser inútil, acomodado. Meu temperamento não suportaria isso.
Mas, se formos observar, tendemos a confundir trabalho com emprego. O trabalho é o uso das nossas habilidades físicas ou intelectuais para produzir ou transformar algo. Já o emprego é a relação de troca, da troca de um serviço (trabalho) por uma remuneração, nos dando um cargo e um salário.
Conheço pessoas com cargo e salário importantes e que são com-ple-ta-men-te inúteis para a sociedade por produzirem apenas pensando em seu próprio bem-estar financeiro. Conheço também pessoas que não possuem cargo e (muito menos) salário, mas que conseguem ajudar e contribuir com a comunidade de forma sem igual. Não é um julgamento, apenas uma constatação de que um emprego de renome não necessariamente contribui mais para a humanidade do que um ato, idéia ou exemplo de alguém bem intencionado.
Partindo daí, o que de fato deve ser valorizado, o trabalho ou o emprego? A questão não é ter um emprego - ou não. Mas sim se produzimos e contribuímos para algo maior - ou não!
"Lieben und arbeiten". É dito que essa foi a resposta de Freud ao ser perguntado sobre o que uma pessoa deveria ser capaz de fazer bem. Ou seja, para Freud, uma pessoa tem boa saúde mental quando ela é capaz de amar e de trabalhar.
Amar no sentido de compartilhar, de se entregar, de reconhecer e ser reconhecido. Trabalhar no sentido de ser criativo, produtivo, útil.
Se amamos e não criamos, não produzimos, nos sentimos inúteis e infelizes. Em contrapartida, se trabalhamos a ponto de não termos tempo para amar, nossa vida então é inútil e nós, também infelizes.
Nos dias de hoje, com o status corporativo sendo mais valorizado que o amor e o trabalho, temos um cenário de saúde mental em declive. Vejo aqui na vida de muitos expatriados, exemplos de maridos enfurnados em escritórios, incapazes de amar e compartilhar da "vida exterior" e mulheres enfurnadas em suas novas casas, intimidadas pelo novo idioma, com pensamento fixo na falta do arroz com feijão e incapazes de uma produção criativa, mesmo que isenta de um cargo e salário.
Pode ser esse o bicho-papão das famílias expatriadas: uns com tanto trabalho, outros com tão pouco...
Conseguimos nos livrar dele se pudermos enxergar a tênue linha que equilibra amor e trabalho, que nos faz sermos verdadeiramente úteis e que faz com que nossa saúde mental permaneça em níveis aceitáveis.
Espero que eu e todos os outros que vivem essa situação consigamos enxergar essa linha - e vivenciá-la!
Nós, expatriados, temos sorte, pois temos a chance que poucos têm de rever nossas vidas, nossos objetivos e mudar a rotina. Podemos nos tornar úteis e criativos de forma não convencional.
Vamos aproveitar, aprender, produzir e compartilhar!
Pensando assim, conflito resolvido.
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
Sem vergonha de respeitar
Quando pensamos em uma sociedade desenvolvida, logo nos vem à cabeça o bom nível de vida da população decorrente de boa estrutura de saneamento, saúde, educação, transporte, etc.
No entanto, ao observar essa sociedade no dia-a-dia, características mais simples nos causam estranheza. Digo estranheza por estarmos habituados a outro estilo de vida.
Para mim, a característica que mais chamou a atenção quando me mudei para a Suíça e comecei a me relacionar com as pessoas locais foi o cuidado que eles têm em seguir as regras. Sejam regras de boa convivência, de trânsito, de horários, qualquer uma.
Eu, mesmo sendo a pessoa sistemática que sou (sim, alguns me classificam dessa forma por eu gostar de regras), ainda custo a me habituar com algumas delas e me pego, às vezes, "fazendo brasileirices".
O melhor exemplo de todos está no trânsito. Já atravessei fora da faixa de pedestres (que aqui é amarela) e fui fuzilada por olhares nativos recriminadores. Também - muitas vezes - fiquei plantada na calçada, em frente à mesma faixa, esperando os carros pararem por pensar "Vai que algum desavisado não para!". Mas os suíços não! Eles nem olham do lado quando vão atravessar a rua. Simplesmente confiam nos motoristas, que sempre param para o pedestre que atravessa na faixa. Só porque eles TÊM que parar.
Como eles chegaram nesse ponto? Ah... Podemos pensar na qualidade da educação, claro! E no tamanho da multa que eles pagarão se não respeitarem tais regras! Sim, isso deve mesmo influenciar a conduta. Mas, se você for observar, é uma questão simples de respeito ao outro, aos direitos do outro. E eles levam isso muito a sério.
Isso pode até ser ensinado nas escolas, seu descumprimento pode até ser punido com multas altas, mas é fundamentalmente uma questão cultural. Eles pensam no coletivo mais do que nós. Não passa pela cabeça de um suíço, por exemplo, não comprar o ticket do trem só porque ninguém vai cobrá-lo. É preciso comprar o ticket e pronto! Não passa pela cabeça de um suíço atravessar fora da faixa de pedestres porque a ela está lá para isso!
No Brasil, sinto que nossa sociedade ainda engatinha nessas questões. Quantas vezes nos sentimos envergonhados por fazer a coisa certa? E - de novo - não acho que seja somente pela educação de má qualidade não. É uma questão cultural.
É frequente vermos carros caros e de último modelo seguindo pelo acostamento quando estamos parados em um congestionamento. Será que essa pessoa não teve acesso à escola?
O povo brasileiro em geral se orgulha da sua característica de dar "um jeitinho" pra tudo. Isso nem sempre é bom. Não é bom quando invadimos os direitos do outro. Não é bom quando esse "jeitinho" vai contra o coletivo. Tudo o que vai contra o coletivo impede uma sociedade de se desenvolver. Óbvio.
Falando de boa conduta no trânsito, a Organização Mundial de Saúde (OMS) proclamou a década em que vivemos como a “Década de Ações para a Segurança no Trânsito". De acordo com seus dados, os países menos desenvolvidos respondem por 90% de todas as mortes no trânsito. O Brasil está em 5o lugar nesse ranking.
Essa regra já existia, mas não era respeitada pela falta de fiscalização. Quem vai ser trouxa de parar para o pedestre? Eles que esperem ou comprem um carro! Muita gente ainda pensa assim. Nesse caso, o jeito triste de mudar nossa cultura é com a punição. Que seja.
Podemos colaborar com nossa cultura dando exemplos. Basta deixarmos de nos envergonhar por querer atravessar somente na faixa, por não querer dirigir depois de beber, ou talvez respeitando os horários (13 horas não é o mesmo que 13:15!). Não aprendemos isso na faculdade, nós simplesmente sabemos. Se perdermos a vergonha, outros podem começar a achar cool respeitar o coletivo.
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